quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Preguiça de língua


Já passava de certa idade o professor quando foi acometido por um mal que a escola inteira começou a chamar preguiça de língua. Não era falta de conhecimento. A diretora se retratava aos pais dos estudantes, que vez ou outra estranhavam. Frequentou cursos até no estrangeiro, quando adolescente, mas agora anda a falar como se quisesse economizar português.

Começou pelo plural. No outro dia, um aluno jura que o ouviu conversando com o dono de uma barraca, na feira da esquina. Bom dia, Ernestino. Me dá dois mamão dos grande. Faz dois por três real? Era caso sério, o do professor. Preguiça de língua. Sempre uma forma de evitar letra ou enxotar palavra. Olha que era pós-doutor. Seriam desavenças com o alfabeto? Pura desfeita com o dicionário?

Deu a reduzir nomes próprios a coisa. Estive falando ontem com o Seu Coisa. Quem?
O Seu Coisa. Irmão de fulano, o Coisa. Se o interlocutor do professor não fingisse ter entendido quem era o Seu Coisa, o mestre era capaz até de responder com ofensa. O Seu Coisa precisa aprender uma lição. Ele agora se acha o tal. Se acha o quê? O tal, repetia com paciência didática. O tal.

Outra mania era substituir todos os números por letras. Não havia ocasião em que o professor especificasse quantidade sem usar as letras x, y ou z. Escolhia qualquer consoante ou vogal, aleatoriamente. Querido, já te expliquei n vezes, por a mais b, que você não deve interromper a minha explicação no meio. Guarde suas y dúvidas, espere eu terminar o raciocínio e então levante a mão para perguntar.

O mestre não se dava conta de que estava com preguiça de língua, talvez porque sua fluência em diversas línguas deixasse o ouvido surdo para as próprias palavras. Pois bem, era dotado de prática no manejo de sete idiomas. Além, claro, do mais fantástico. Sabia falar português ao contrário.

O avô lhe dera aulas de português ao contrário. O segredo para desenrolar a pronúncia perfeita é conversar virando cambalhotas, e segurar o ímpeto de abertura das narinas caso vislumbre o menor sinal de vontade de espirrar. Dessa forma, o português flui ao contrário, letra por letra, deslizando garganta afora.

Quase todo dia, os alunos pediam uma demonstração de prática da fala do português ao contrário. E lá ia o professor pedindo ajuda para afastar as cadeiras da sala e virar cambalhotas. E lá ia pegando uma pena que trazia sempre no bolso, para despertar o espirro.

“Seu Coisa” virava “Asioc Ues”. “Escola” virava “Alocse”. Ninguém entendia nada, contudo, era divertido. A cada frase falada rapidamente, os estudantes retribuíam a hábil tarefa com salvas de palmas. O homem girava no chão, abanava o queixo com a pena e segurava o nariz com o objetivo de prender o impulso do espirro.

Certa vez, o professor não suportou a força do espirro e, em pleno ato de cambalhotar, pronunciou cinco palavrões impublicáveis, com as letras na ordem certa, que ecoaram na sala da diretora. Por pouco não acabou demitido. Parou de realizar as performances. A fisionomia dos alunos se tornou mais triste depois da decisão docente, mas as aulas continuaram.

O francês aprendi nas cartas de vinho. O italiano nos cardápios dos restaurantes de massa. O russo nos rótulos das garrafas de vodka. O inglês nos discos dos Beatles. O espanhol nos discursos de Castro. O grego nos diálogos de Platão. Pela fonte de cada lição, dava para conhecer os gostos e as linhas de estudo do professor.

Tão inteligente e culto, porém, agora, com preguiça de língua. Qualquer dia desses abrevia a linguagem toda, invalida por completo o sistema gramatical. Um desobediente? Um revolucionário? Um irresponsável? Um aventureiro? Ou um preguiçoso da fala correta?

Quando soube do problema, o inspetor da escola levou um susto. Mesmo porque o professor passou a falar poblema, pobrema, probrema, ploblema, plobrema, pmoblera, prlmoabe, tudo, menos problema. Esse foi um estágio mais avançado do mal que acometeu o mestre.

Depois, ele não conseguiu falar mais palavra alguma, pois embaralhava letras como se fosse distribuí-las na sequência, em um jogo de buraco. Mas nunca distribuía. Travava os fonemas nos dentes, prendia nas mãos trincas e canastras.

Um médico falou em abstinência pela falta de prática do português ao contrário. Outro cogitou overdose de informação jornalística, que teria mexido com alguma área do cérebro. Eu mantenho a minha opinião. Preguiça de língua.

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A foto do post anterior é de uma casa na rua Senador Dantas, uma das vias que ligam o Largo da Carioca à Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Os dois homens


As costas da mulher amparadas no balcão do bar, os cotovelos para trás, fixos na superfície do balcão, e o copo de bebida alcoólica por perto. Cigarro entre os dedos. Só fuma quando bebe. Suas risadas morenas se misturam à meia luz do lugar, ao colorido dos quadros com propaganda de marcas de bebida, à imagem da TV de plasma ao fundo, aos detalhes dourados da decoração e da cerveja.

O bar é Ipanema. Meia luz. Cheiro ora de vodka e limão, com baforadas de tabaco; ora de frutas vermelhas, com raspas de hortelã. O maior desejo dela é conversar com dois homens ao mesmo tempo. Cobrir-se no calor das palavras de dois. Do dobro. Transbordar o que é suficiente. Enrolar-se no ímpeto daqueles estranhos que a procuram para compartilhar uma noite, antes de devolvê-la a seus próprios sonhos. Sonhos que, no fundo, são para uma vida toda, e não apenas para uma noite.

Passava das cinco da manhã. O grupo das amigas tinha ido embora. Ficara ela e os dois desconhecidos. Os homens conquistam sua atenção, sem se reduzirem diante do que é a sua musa incondicional daqueles últimos trinta minutos. Não se curvam, não fazem súplicas, não se ajoelham, não juram amor para sempre. Mas seduzem. Ela sente que, se não demonstrar interesse, pode ser abandonada no balcão. Pode ter a beleza e os instintos renegados. Não gostaria de ser renegada. Nem por um acaso. Nem por uma noite.

Os dois homens estão hipnotizados pela mulher. Também não querem ser desprezados, embora saibam que um deles deverá abdicar da conquista em favor do outro. Abordaram-na ao mesmo momento. Porém, evitam atacar-se, com a nobreza de dois lutadores de esgrima, que trincam espadas, mas preservam a honra do adversário.

As palavras de um deles se enroscam na orelha dela, que retoca a maquiagem no reflexo do cinzeiro de metal. As idéias do outro umedecem seu pescoço e os ombros, que o recorte do vestido deixa à mostra. À mulher tampouco interessa saber por que surgiram. Quer conversar com dois homens ao mesmo tempo. Basta.

Bebem. Os copos esvaziam como uma ampulheta. Quanto mais cerveja é consumida, mais próximos estão do tempo que os levará embora dali. Os clientes todos já deixaram o lugar. O DJ desliga a música, a luz ganha mais intensidade. Os três olham ao redor, a luz do sol entra por uma das janelas. Ao fundo do salão, o cozinheiro está sem camisa. Barriga protuberante e peito cabeludo. Troca o uniforme branco pela blusa com a qual voltará para casa.

O faxineiro varre a pista de dança vazia, separando latas de refrigerante, que lhe renderão alguns trocados na reciclagem. Um dos homens que conversava com a mulher tem boca de alumínio. Logo se vê que também tem olhos de alumínio, joelhos de alumínio, boca, orelhas, coração, nariz de alumínio. O faxineiro separa a estrutura, guarda as peças dentro de uma enorme caixa de papelão. Certamente ganhará bom dinheiro na hora de reciclar.

O outro homem não é de alumínio. O garçon o levanta com certo esforço e o empilha em posição de sentado, de cabeça para baixo, sobre uma das mesas. Fica junto às cadeiras do bar, também empilhadas de cabeça para baixo. O celular da mulher toca. É o táxi, esperando na porta.

Carta e Crônica

O site Olha na Janela inaugura hoje uma seção com sugestões de blogs para seus leitores, na coluna à direita da página. O primeiro deles é o Carta e Crônica, do jornalista carioca Henry Galsky. Correspondente da rádio CBN na guerra entre Israel e Líbano, em 2006, Galsky publica textos sobre os assuntos mais quentes do cenário internacional.

Os temas são abordados de maneira leve e esclarecedora. Perfeito para quem deseja compreender os fatos com o detalhamento que um jornal diário muitas vezes não proporciona, na maioria dos casos, por falta de espaço. O jornalista escreve com habilidade, oferecendo ao leitor conhecimento e base para debates nas rodas fora do ambiente cibernético.

Desde dezembro, o Carta e Crônica faz parte dos blogs oficiais do jornal O Tempo, de Minas Gerais. A prosperidade chinesa, as relações entre Índia e Paquistão, os conflitos no Oriente Médio, as expectativas com a chegada de Barack Obama ao poder. Confira tudo em http://cartaecronica.blogspot.com/.

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Janelas de um edifício na rua do Passeio, entre a Cinelândia e a Lapa, em frente aos jardins do Passeio Público.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Olha para o relógio

Olha para o relógio. Só tem olhos para o relógio. Acabou a hora do almoço, continua o expediente. Olha para o computador. E tem um relógio. Olha para o telefone. E tem um relógio. Olha para o painel do automóvel. E tem um relógio. Olha para a reunião em atraso, o compromisso perdido. E tem um relógio.

Olha para o amor dedicado, a amizade construída, o domingo alegre, o encontro em família, a busca do sonho, a paixão conquistada, o caloroso abraço, a viagem de férias, o lanche da tarde, o bolo da avó, o aniversário no play, o porta-retrato, a brisa na praia, o pique-pega, o pique-esconde, a história do tio que nasceu na Polônia. E tem um relógio.

Você tem três segundos para tirar a diferença. Você tem cinco minutos para comer um salgado. Você tem quinze minutos para me esperar na portaria do prédio. Você tem quatro horas para fazer a prova. Você tem doze horas para aguardar o avião. Você tem sete dias para tirar férias. Você tem dois dias para preparar sua roupa. Você tem quatro meses para mudar este quadro. Você tem nove meses para esperar a criança.

Quem vai correr na contramão do tempo? Quem vai ser contra a mão do tempo? Quem é que dita o tempo? Quem é que escolhe o tempo? Por que se há de fazer tudo dentro desse tempo?

Olha para o relógio. Só tem olhos para o relógio. Acabou o ano, continua a vida. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. Olha para futuro. E tem um relógio. Olha para o vizinho. E tem um relógio. Olha para o jornal. E tem um relógio. Olha para o orgasmo. E tem um relógio. Olha para as leis. E tem um relógio.

Olha para as empresas, a economia, o mandato presidencial, a crise americana, o homem no espaço, o bolso vazio, a fila do emprego, a fila do ônibus, o centro da cidade, o centro do universo, a operação complicada, a sala de espera, a carreira escolhida, o prazer conquistado, a beleza do corpo, a beleza da alma, a felicidade eterna. E tem um relógio.

Você tem três milênios para trazer um messias. Você tem cinco séculos para devastar um continente. Você tem quarenta anos para lançar um satélite. Você tem dez anos para quebrar um recorde. Você tem doze meses para recriar a floresta. Você tem cinco meses para despoluir o lago. Você tem duas semanas para mudar o comportamento. Você tem nove dias para vencer o jogo. Você tem uma hora para gozar como nunca.

E aos vinte, quarenta, setenta, noventa anos? O que teremos feito? Aonde teremos chegado?

Mensagens urbanas

Sobre o post Mensagens, publicado no dia 14 de dezembro, o leitor Rodrigo Mansur escolheu a sua frase preferida, justificando:

– Sem dúvida, é “Sorria! Você Está Sendo Filmado". Mais do que um eterno lembrete da solução Big Brother contra a violência urbana, esta mensagem apresenta um profundo sentido. O aviso de que estamos sendo filmados pode ser entendido como um reforço coletivo à consciência individual. Se tivéssemos a consciência de que estamos sendo vistos constantemente, com certeza levaríamos uma vida muito mais consciente, muito mais regrada, muito mais simples, muito mais tranquila... muito mais... muito mais... muito mais sem graça! – Rodrigo completou:

– O comando "Sorria!" nos lembra da necessidade diária de enfrentar os obstáculos cotidianos com sentimentos positivos, tal qual o best-seller de auto-ajuda "O Segredo", só que muito mais resumido. Quase um Profeta Gentileza em versão de bolso.

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Se a imagem de uma pessoa aparece no jornal ou na TV, possivelmente teremos a curiosidade de procurar saber de quem se trata. É famosa? Faz novelas? Descobriu uma fórmula secreta? Cometeu um crime? Salvou uma vida? Ganhou dinheiro?

Pois a foto do post anterior é de um edifício que nada tem de especial. Não se justificaria não fosse o fato de eu tê-la em minha coleção de imagens. Está aí por ser um prédio (e ter janelas, diga-se), entre tantos. Por eu considerar hora de destacar algo cuja característica mais marcante é, simplesmente, ser anônimo como a maioria. E nem por isso desinteressante.

São janelas de um prédio da rua Alcindo Guanabara, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. Foto de outubro deste ano.

Boas Festas

Boas Festas a todos!!! Feliz Natal, Feliz Chanuká!!! Muitas alegrias e conquistas no próximo ano!

sábado, 20 de dezembro de 2008

O telefone

– O que é isso sobre a mesa?

– Um telefone.

– Serve para quê?

– Permite que qualquer pessoa, mesmo a milhares de quilômetros desta sala, interrompa uma
reunião como a nossa.

– Está fazendo um barulho estridente.

– Alguém está chamando. Por favor, deixe-me atender. Dá um minuto.

– Como se atende?

– Basta tirar o fone do gancho e responder algo do tipo...“Alô”. A outra pessoa vai perceber que você atendeu e começará a falar sobre o que quiser.

– Não, não pode. Precisamos terminar a reunião, tenho outra marcada em meia hora.

– Antes eu vou atender. Em seguida nós continuamos. É um minuto.

– E se o seu interlocutor quiser falar por mais do que um minuto?

– Sei lá, mando parar, digo que conversamos depois. Vou atender, um instante.

– Você não vai tocar nesse negócio.

– Por quê?

– Simplesmente porque eu já estou aqui. Deve dar preferência a mim. Há um sujeito fora desta sala que vai quebrar o meu raciocínio sobre o assunto. E ele sequer marcou horário na sua agenda. Talvez não te conheça ou nem se importe com você. A quantos quilômetros daqui está essa pessoa?

– Não interessa a distância. O importante é a mensagem que podemos receber pelo telefone.

– Uma mensagem que chega por um aparelho desses não pode ser importante.

– Como você sabe?

– Se fosse tão importante assim, a pessoa teria vindo aqui falar com você. Como eu estou fazendo.

– Isso não tem nada a ver. Ela pode estar muito longe, sem conseguir chegar a tempo de dar o recado que deseja, com a devida urgência.
– Você não tem clientes fora da cidade e toda a sua família mora no mesmo bairro. Esse risco é igual a zero.

– Está enganado. Posso ter sido, enfim, descoberto pelo mundo. As melhores oportunidades surgem quando menos se imagina. O meu potencial está espalhado por aí, a minha vocação é para a fama. Sou inteligente, bonito, sagaz. A Europa quer exemplos de vida assim. O Japão, a China. É possível que seja uma ligação da Austrália, eu vou atender agora!

– Para te ligar da Austrália só se for um canguru. Os australianos estão preocupados com outras questões. Vamos continuar a reunião.

– O telefone parou de tocar! O telefone parou de parou de tocar! Eu não acredito! Quem terá ligado?

– Isso é para aprender a valorizar as pessoas ao seu lado, cada momento que está vivendo. Sentir a essência humana, as emoções, a alma dos seres vivos que estão próximos. Tornar-se um homem mais compreensivo, senhor da sua realidade e do seu tempo. Você não pode se deixar escravizar por um negócio desses. Onde já se viu? Pessoas que nem estão nesta sala. A filosofia oriental explica que...

– Está tocando de novo! Eu vou atender, eu vou atender...

– Não vai, não. Tenho uma reunião em meia hora. Vamos voltar logo ao assunto. Hoje o dia está cheio.

– Você não vai me impedir de atender.

(o homem que desejava atender – sim, ele estava incontrolável – tira o telefone sem fio do gancho e sai correndo para a sala ao lado, mas volta rapidamente. Aquele que ficou esperando é o primeiro a retomar a conversa)

– Quem era?

– Engano.

Foto do leitor

Envie a sua foto de janela para olhanajanela@gmail.com. Não se esqueça de escrever o nome completo do autor do clique e, se possível, a data de quando a imagem foi registrada (dia/mês/ano ou mês/ano). Caso a foto tenha alguma história, fique à vontade para contar.

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O ângulo foi observado no fim da tarde de um desses domingos de novembro, pouco antes do encontro de um bloco tradicional de Maracatu e outro de Frevo, em Olinda, Pernambuco.

– A tranqüilidade da cena não durou muito. Pouco depois de eu tirar a foto, um dos blocos surgiu, a bagunça se instalou e a calma imagem dessas janelas desapareceu, contou o leitor Celso Nesanelowicz, autor do registro.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mensagens



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de segunda de cinqüenta - carro a quilo - pra agora ou das amada - diplomata no pé pra pessoa - mais barato mão - depois das polícia rio branco - põe respeito é graxa - onde bom é bandido a presidente sexta - vai ta mata difícil céuindo - comida e nota coréu - caseiros recepcionistas e merecem - gentileza com chumbinho eletrizante - final arroz - aceitamos vargas - escrevo seu horas nome no tradição - só fla x flu com elas cederrum – baile defeito - é vai uófi é dez - jogos andar programa devedê - vai da idade eu merréis - sombrinha sem - dez trocamos madame - dois por salgado - dinheiro pessoas tíquetes expulsa complicação - estamos em rato - compra um saco pra dez catorze – brasileiro fácil terceira o natural demônio - via doces de belas internet – das em ouro cinqüenta leopoldina nossas - gera tudo estacionamento - trigésimo que garantiu - por desembarque - olha o station – rapa aterro domicílio – greve jesus carioca - gentileza central - reais - só troco cópia - compro avenida - limpa dois - mulheres fotos – cinco anos - tem pra mim - traz fronteiras em três viagem dias – sessenta a lapa

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A foto é do Edifício Sede da Caixa Econômica Federal, no Centro do Rio de Janeiro.

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Mensagens II

As cidades transmitem uma série de mensagens que, no cotidiano atribulado, nem temos tempo de perceber. Ou, de tanto que percebemos, penetra nos recônditos mais profundos do nosso cérebro, não saindo dali por nada. O sistema de transporte subterrâneo do Rio de Janeiro é uma excelente fonte desse tipo de mensagem.

A mais nova expressão é apresentada, justamente, nas roletas das estações: “Insira cartão na fenda”. Trata-se da orientação sobre onde o passageiro deve depositar o bilhete da passagem, agora um cartão plástico. Morador do Rio ou não, você também deve ter a sua frase urbana preferida. Envie a expressão para olhanajanela@gmail.com.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Janelas e perguntas vão se abrindo


Alguns leitores encaminharam questões relacionadas a janelas. O site Olha na Janela não necessariamente aborda o assunto janela em seus posts. No entanto, como as indagações enviadas podem trazer situações comuns a outros leitores, publico as perguntas recebidas, com as respectivas respostas.

- Meu pai reclama quando ligo o ar-condicionado do quarto e deixo a janela aberta. Não posso contribuir assim para o resfriamento do planeta? (Otto Gustavo – Rio de Janeiro)
- Prezado Otto. A menos que você transforme o seu apartamento na floresta amazônica. Para isso, cultive uma vitória-régia no vaso sanitário, crie passarinhos na sala e espalhe alguns animais silvestres pelo corredor. Permita a passagem também da umidade trazida pelas correntes que sopram da sua cabeça de vento. Pelo teor da pergunta, vejo que a matéria orgânica depositada no banheiro de casa está sendo reaproveitada, tornando-se disponível na mesa do jantar. Você está no caminho certo.

- Minha janela se recusa a enrolar na toalha, quando sai do banho. Isso gera constrangimentos. Como resolvo o problema? (Leandra Roberta – Macapá)
- Prezada Leandra. Experimente lhe ceder uma cortina.

- Tive inúmeros prejuízos com a atual crise financeira. Poderia contar sobre as brigas com minha esposa, mas isso é muito pessoal. Essa parte pula. Poderia contar sobre os impropérios que disse ao meu melhor amigo. Mas, pelos mesmos motivos, essa parte pula. Se eu te contasse o que faria para me livrar de todos esses problemas, você nem acreditaria. Essa parte pula. Já não tenho mais nada além do meu apartamento no 30º andar e minhas janelas. O que você me recomenda? (Ricardo Augusto – São Paulo)
- Prezado Ricardo. A julgar por algumas de suas frases, é melhor você manter as janelas trancadas.

- Calço número 37, moro no andar térreo e todo Natal ponho os sapatinhos na janela, mas Papai Noel não deixa presentes. Em contrapartida, meu vizinho sempre aparece de calçados novos no reveillon, muito parecidos com o par que deixei na janela. O que você pode concluir com isso? (Leovegildo Thiago – Recife)
- Prezado Leovegildo. Posso concluir que seu vizinho também calça 37.

- O parapeito da janela de casa amanheceu amamentando um cabrito. Minha esposa acha que a janela teve um filho comigo e que estaríamos escondendo a criança. Será necessário fazer exame de DNA para reconhecer paternidade? (Reginaldo Maurício – Cuiabá)
- Prezado Reginaldo. Não será. Garanto que, nesse caso, o descuido foi do leiteiro.

- Os EUA acabaram de eleger o primeiro presidente negro de sua história. Algum dia o país elegerá um presidente janela? (Jennifer Wellfare – Ohio)
- Dear Mrs. Wellfare. A América é uma democracia. Com certeza, as portas da Casa Branca também estão abertas para as janelas.

- Meu filho tem cara de janela e sofre preconceito dos coleguinhas na escola. É caso médico? (Romilda Gonçalves – Salvador)
- Prezada Romilda. Não, é de marcenaria mesmo.

- Ouvi dizer que minha mulher estava me traindo com uma janela. Como posso conseguir o flagrante? (João Adolfo – Rio Branco)
- Prezado João. Tem certeza de que era uma janela?

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Olha no Orkut

Você está convidado a participar da comunidade do site Olha na Janela no orkut. Acesse: http://www.orkut.com.br/Main?cmm=78082817#Community.aspx?cmm=78082817
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A janela publicada no post anterior foi enviada pelo leitor Igor Gak, e está localizada em Cairo, no Egito.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um próton


Eriberto se sentiu um próton. Há pessoas que se sentem faraós do Egito, outras um grande mercador da Pérsia antiga. Algumas não vão tão longe. O filho do meu porteiro quando joga futebol se acha o Ronaldinho Gaúcho. Conheço uma senhora que, ao cantar, pensa ser Edith Piaf. Se errar a letra, desculpa-se em francês, pardon. E emenda dois pigarros. A filha, sempre de nariz em pé, aposta que é a encarnação de Cleópatra no calçadão de Ipanema.

Eriberto, não. Da última vez que entrou no metrô do Rio, sentiu-se um próton. A esposa descobriu e ralhou: – Que ambição na vida pode ter um próton? A conta de luz está atrasada, cortaram o telefone ontem e você ainda me vem com essa? Eu me sinto uma palhaça.

Esposa palhaça, Eriberto próton. A sogra foi ter com ele uma conversa: – Nessas condições anormais de temperatura e pressão, ou você se sente, no mínimo, um gás nobre, ou separa da minha filha. Eu já não tenho mais estrutura física e emocional para suportar uma situação dessas! Onde já se viu homem pensar tão pequeno!? Não me faça de mosca morta!

Eriberto próton, esposa palhaça, sogra mosca morta. De nada adiantou. Era próton pelo mesmo motivo que azul não é verde e caneta não é lápis. Quando ele chegou outra vez de manhã cedo à estação do Largo da Carioca, foi cuspido do metrô lotado para nunca mais ser visto.

Sob efeitos de um porre de globalização, tomado no dia anterior, sofrera as ações do gigantesco acelerador de partículas construído na fronteira entre Suíça e França. O engenhoso invento, que movimenta prótons em alta velocidade e estabelece as conjunturas de um big bang em menores proporções, levou o rapaz para outra galáxia - só quem já esteve na estação do Largo da Carioca sabe. E Eriberto se perdeu para sempre no universo que ele mesmo criou.

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Janelas francesas

O que está acontecendo nas janelas de Paris? O leitor João Carlos Aranha enviou um site que permite espiar e descobrir o que ocorre por lá. Acesse em http://www.hyper-photo.com/grandes/paris.html.

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Post Anterior

A foto do post anterior é um registro das janelas do Edifício Avenida Central, tradicional prédio localizado no Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro.